“Cenários de Riscos e o CSO”

À partir da oportunidade de participar do estudo “Cenários de Riscos 2026 e Além – Perspectivas Estratégicas para o Brasil e a América Latina”, desenvolvido pela Plataforma t-Risk, logo procurei converter o aprendizado desta experiência em uma estratégia de aperfeiçoamento às responsabilidades de um CSO no desenvolvimento de suas atribuições, garantindo que os planos e realizações estejam atualizados e, seguindo meu compromisso de compartilhar minhas aplicações práticas, sem qualquer pudor e ainda com o maior orgulho, através deste artigo eu compartilho o privilégio que recebi do Tácito Leite – CEO da Plataforma t-Risk, como uma pequena extensão do trabalho elaborado por ele e sua equipe, aplicado à estratégia dos negócios.

Este conteúdo foi elaborado e até já direcionado de forma privilegiada como instrução estratégica para apoiar o Conselho de Administração e a Alta Direção de um importante cliente, no fortalecimento da cultura de Segurança Corporativa, orientando decisões, investimentos e práticas que consolidem uma governança robusta e multidisciplinar de segurança integral, portanto, espero que seja também de valor às suas realizações.

Uma das principais conclusões que devemos reforçar é que, diante do cenário de riscos crescentes e sofisticados, cada vez mais a integração entre as funções de Chief Security Officer (CSO) e Chief Information Security Officer (CISO) torna-se essencial para garantir resiliência institucional, proteção dos ativos e conformidade regulatória, de forma que estejam devidamente preparadas para sinergia plena com a área de Riscos Corporativos.

Contexto e Tendências – visão geral
O ambiente global enfrenta ameaças cada vez mais complexas, impulsionadas pela atuação de redes criminosas híbridas que combinam fraudes tecnológicas e humanas. O Global Organized Crime Index 2025 aponta Crime Organizado, Finanças Ilícitas e Corrupção Sistêmica à partir da consolidação de redes híbridas que operam simultaneamente em economias formais e ilícitas, utilizando empresas legítimas, plataformas digitais e sistemas financeiros paralelos para lavagem de dinheiro, fraudes, corrupção e manipulação de mercados. A América Latina é destacada como epicentro dessas atividades, ampliando os desafios de reputação, conformidade e continuidade operacional.

Principais Riscos Mapeados – visão geral
O entendimento dos cenários geopolíticos torna-se aprendizado indispensável na visão estratégica de qualquer âmbito de tratamento de riscos, não mais limitando-se a organizações multinacionais ou instituições transnacionais, pois, a ingerência dos acontecimentos nos extremos do planeta, seja qual for a distância ou tempo, cada vez mais invadem os planos pessoais e de negócios internos, seja na sua família, no seu bairro ou estado, em atividades sociais ou organizacionais, comprometendo não apenas a Defesa Nacional, mas, a Segurança Pública Nacional também, o que podemos constatar no elenco dos Principais Riscos Mapeados: Infiltração e Diversificação Criminosa; Uso Indevido de Tecnologia e IA; Fragmentação Institucional e Governança Deficiente; Vulnerabilidade de Infraestruturas Críticas; Fraudes Automatizadas e Lavagem de Dinheiro; Infiltração Sistêmica por Redes Ilícitas; Desafios Regulatórios e Reputacionais.

Função Estratégica da Segurança Corporativa – visão geral
A Segurança Corporativa deve ser compreendida como um sistema de governança integrado que articula proteção física, digital, pessoal, reputacional e institucional. O CSO lidera controles físicos, inteligência preventiva e resposta a incidentes; o CISO foca na defesa digital e conformidade com normas como LGPD. A governança convergente entre CSO, CISO e CRO é fundamental para antecipar ameaças, absorver choques e recuperar operações críticas. As infraestruturas críticas da nossa região, enfrentam crescente vulnerabilidade e o fortalecimento da segurança corporativa torna- se, portanto, um requisito operacional, tático e estratégico, para garantir continuidade das operações, estabilidade nos negócios e confiança dos stakeholders.

A ISO 31050 amplia o entendimento tradicional da gestão de riscos enfatizando a necessidade de estruturas específicas para tratar riscos emergentes, caracterizados por novidade, incerteza extrema, dados insuficientes, complexidade e ambiguidade, que exigem abordagem distinta, justamente porque não se manifestam através de sinais clássicos, mas, por meio de pequenas anomalias, mudanças contextuais discretas e interações que, isoladamente, podem parecer irrelevantes, o que requer ações efetivas de inteligência, análises e ajustes dos planos, assegurando suas realizações, tais como:

  • Adoção de mecanismos de due diligence ampliada em fornecedores críticos;
  • Integração entre segurança física, digital, ambiental e financeira;
  • Fortalecimento de parcerias com autoridades policiais e aduaneiras;
  • Criação de protocolos de inteligência corporativa focados em crime organizado;
  • Desenvolvimento de sistemas de proteção de pessoas e operações críticas.

Observação: o risco criminal deve ser tratado como risco estratégico, não apenas operacional.

Estrutura e Escopo das Atividades – visão geral
Uma governança integrada, com papéis claros entre o CSO (Chief Security Officer) e o CISO (Chief Information Security Officer), evitando sobreposição de esforços, lacunas de proteção e conflitos de interesse. A resiliência organizacional depende da sinergia entre essas funções e da formalização de políticas, protocolos e comitês colegiados.

  • CSO: Lidera a segurança física, patrimonial, pessoal e operacional. Atua na prevenção e resposta a ameaças humanas (sequestro, extorsão, sabotagem), fraudes internas, corrupção, lavagem de dinheiro e proteção executiva.
  • CISO: Lidera a segurança digital, proteção de dados, defesa cibernética, resposta a incidentes digitais, conformidade com normas de cibersegurança e LGPD, prevenção a fraudes digitais e gestão de riscos tecnológicos.

Observação: em alguns casos e conforme a estrutura organizacional, a composição do Conselho é concentrada em um único “C-Level”, porém, sem prejuízo às verticais executivas.

Governança Integrada
Estruturas colegiadas (Ex.: comitês e centro integrado de operações) promovem decisões conjuntas e resposta coordenada a incidentes híbridos. Prevenção multidimensional: Due diligence robusta, monitoramento comportamental e investigações.

Prevenção Multidimensional
A prevenção efetiva de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro exige due diligence robusta, rastreabilidade de transações (inclusive criptoativos), monitoramento comportamental, contramedidas de inteligência, background-checking e investigações, internas e externas.

Um plano de ação corporativo deve integrar principalmente as áreas de CSO/CISO/RH/CFO/Jurídico/Compliance.

Orientação Financeira
O CFO, responsável pela alocação eficiente de recursos, precisa compreender como os investimentos em segurança (física, pessoal e digital) se traduzem em retorno, tanto tangível quanto intangível. O desafio está em quantificar benefícios que muitas vezes são preventivos ou reputacionais, todos essenciais para a sustentabilidade e crescimento da organização. A identificação e apresentação do ROI é essencial assim como a validação de métricas que acompanhem os indicadores de resultados do negócio, garantindo o alinhamento não somente dos conceitos, mas, também a linguagem financeira, que podem e devem ser suportados pelos processos e métodos de Análise de Riscos, necessariamente desenvolvidos para fins de Segurança Corporativa, Controle de Riscos Corporativos e Continuidade de Negócios.

Apesar de tratar-se de um posicionamento óbvio para qualquer negócio, tenho ainda testemunhado precariedade nas práticas financeiras em análises e decisões de controle de riscos em geral, principalmente em Segurança, o que se traduz em Riscos Residuais ou “Trade-Offs”:

  • Dificuldade em mensurar benefícios intangíveis no curto prazo.
  • Possível percepção de “custo” quando não há incidentes visíveis.
  • Risco de subinvestimento se o CFO não enxergar valor estratégico.
  • Requer atualização contínua de indicadores por evolução das ameaças.

As ações prioritárias sugeridas para o posicionamento financeiro devem integrar principalmente as áreas de – CSO/CISO/CFO/Compliance:

  1. Mapear todos os riscos relevantes e quantificar impactos potenciais.
  2. Estruturar indicadores-chave de desempenho (KPIs) alinhados ao negócio.
  3. Elaborar business cases com análise de ROI e VaR para cada grande investimento.
  4. Implantar dashboards executivos para acompanhamento mensal dos resultados.
  5. Promover alinhamento estratégico periódico com o CFO e alta direção.

Conclusão
A consolidação da cultura de Segurança Corporativa depende da integração total entre CSO, CISO e CRO, com governança colegiada, políticas formais e monitoramento contínuo. O investimento em segurança é decisivo para continuidade do negócio, proteção da reputação institucional e sustentabilidade organizacional.

Recomendo o “estudo do estudo” do qual me orientei para este artigo, pois trata-se de um trabalho robusto, profundo e extremamente atual, que aborda como os riscos para 2026 e além integrando cenários plausíveis, implicações setoriais, segurança corporativa, governança, riscos emergentes e resiliência organizacional, com forte alinhamento às diretrizes das normas ISO 31000 e ISO 31050. É um material que contribui de forma concreta para qualificar decisões em um ambiente cada vez mais complexo e interdependente.

Assim como, para mim, foi uma experiência enriquecedora participar da construção desse estudo de forma colaborativa, ao lado de profissionais com diferentes visões, formações e experiências, estou certo de que profissionais da área de gestão de riscos, segurança, estratégia, governança, compliance, continuidade de negócios, ou liderança executiva em qualquer outra área na cadeia de valores, serão beneficiados com este conteúdo em suas áreas de atuação organizacional, tomadas de decisões e respectivas aplicações.

O estudo completo está disponível gratuitamente, sem necessidade de cadastro, fornecimento de e-mail ou qualquer tipo de barreira de acesso: https://www.linkedin.com/pulse/cen%25C3%25A1rios-de-risco-2026-e-al%25C3%25A9m-perspectivas-uzpof